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Tarifaço de Trump: Governo Brasileiro Aposta em Reunião do G7 para Reduzir Tensões Comerciais

  • Foto do escritor: Jornalista Paulo Soares
    Jornalista Paulo Soares
  • 17 de jun.
  • 5 min de leitura
Foto de família da cúpula do G7 em Evián
Foto de família da cúpula do G7 em Evián
Leitura da Materia

O governo brasileiro vê na reunião do G7 uma oportunidade para diminuir as tensões comerciais geradas pelas recentes ameaças tarifárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A avaliação de integrantes do governo é que as novas tarifas anunciadas possuem um componente político significativo, indo além de questões estritamente econômicas e comerciais.


Diante do cenário, autoridades brasileiras buscam reabrir canais de negociação com Washington, na tentativa de evitar impactos negativos sobre as exportações e a relação comercial entre os dois países. A estratégia é apostar no diálogo diplomático para encontrar soluções que preservem os interesses econômicos e fortaleçam a cooperação bilateral.

Especialistas apontam que medidas tarifárias costumam ser utilizadas como instrumento de pressão em negociações internacionais, podendo influenciar mercados e gerar incertezas para empresas e investidores. Por isso, o resultado das conversas durante o encontro do G7 é acompanhado com atenção por governos e agentes econômicos.

Enquanto as negociações avançam, o Brasil mantém o foco na defesa de seus setores produtivos e na busca por alternativas que minimizem possíveis prejuízos decorrentes de novas barreiras comerciais.


Entenda o Caso

  • O governo dos Estados Unidos sinalizou a possibilidade de impor novas tarifas comerciais.

  • O Brasil avalia que a medida possui forte componente político.

  • A reunião do G7 é vista como uma oportunidade para reduzir as tensões.

  • O objetivo é retomar o diálogo e evitar impactos negativos para o comércio bilateral.

A expectativa é que os próximos encontros diplomáticos contribuam para esclarecer as intenções das partes envolvidas e abrir caminho para uma solução negociada.


As novas tarifas de 25% anunciadas neste mês, segundo avaliação do governo brasileiro, é uma medida de caráter mais político do que comercial. Segundo integrantes do governo, a decisão também ignora argumentos técnicos apresentados por representantes comerciais brasileiros nos últimos meses.

Mas a medida segue um padrão adotado por Trump em outras ocasiões: utilizar tarifas como instrumento de pressão em negociações comerciais e diplomáticas.

Estratégia em favor dos EUA


A ameaça tarifária é uma estratégia antiga do presidente americano em disputas comerciais e diplomáticas. O objetivo é obter vantagens em negociações bilaterais.

Em seus dois mandatos, Trump deixou claro que uma de suas prioridades é fortalecer a atividade econômica doméstica, limitando a concorrência estrangeira.

Em 2018, por exemplo, Trump anunciou tarifas sobre as importações de aço e alumínio, produtos exportados pelo Brasil para os EUA. Pouco depois, os dois países negociaram um sistema de cotas que permitia a venda com isenção ou redução de tarifas até determinado limite.

No episódio mais recente, o governo americano afirmou que uma investigação do Escritório de Comércio (USTR, na sigla em inglês) concluiu que o Brasil adota práticas consideradas "irrazoáveis" por onerar ou restringir o comércio com o país. Como resultado, propôs uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.


  • Por que o Brasil virou alvo da investigação?


Em um decreto posterior, Trump citou 60 países — entre eles o Brasil — que falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como consequência, propôs uma tarifa adicional de 12,5%, elevando a taxação potencial sobre produtos brasileiros para 37,5%.

Nos dois casos, porém, os EUA divulgaram uma extensa lista de exceções. No caso brasileiro, os produtos excluídos das medidas representam cerca de 60% das exportações para o mercado americano.

"Em nossa avaliação, o impacto econômico direto tende a ser limitado, uma vez que a lista de isenções permanece extensa e abrange parcela significativa das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos", afirmaram os analistas Luiza Paparounis e Francisco Lopes, do BTG Pactual, em relatório recente.

Outros exemplos pelo mundo e os efeitos para os EUA


O Brasil não é o único parceiro comercial dos EUA atingido por tarifas. União Europeia, China, Canadá, México e outros países também foram alvo de medidas semelhantes adotadas por Trump.

Além de alegar que esses países mantêm relações comerciais injustas com os EUA, Trump também recorreu a diferentes justificativas para defender as tarifas, incluindo combate ao narcotráfico, crime organizado, imigração ilegal, segurança de fronteira, comércio digital, corrupção e até o PIX brasileiro.


"Trump usa essa questão tarifária como uma arma, e já vimos isso várias vezes. No Brasil, quando houve o choque com o nosso judiciário, ou na Índia, que continuava a comprar petróleo russo", avalia a diretora da Faculdade de Relações Internacionais da PUC-Campinas, Kelly Ferreira.

"E mesmo que a Suprema Corte americana já tenha tentado derrubar as tarifas globais impostas em 2025, o Trump está sempre buscando novas formas de usar essas taxas a seu favor", completa a especialista.

Ela acrescenta que até a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas teria um componente econômico, ao dar mais flexibilidade para Trump adotar novos embargos.

Em vários dos casos, a estratégia foi semelhante: o republicano anunciou tarifas, estabeleceu prazos para negociação e buscou obter vantagens competitivas, além de maior abertura dos mercados para a indústria americana.

Trump também afirmou, em diversas ocasiões, que as tarifas serviriam como fonte de receita para o governo, ajudariam a reduzir a dívida pública e fortaleceriam a economia americana.

O republicano não conseguiu cumprir essas promessas. Dados do Tesouro dos EUA mostram que o déficit orçamentário — quando as despesas superam as receitas — cresceu 2% e atingiu US$ 164 bilhões (R$ 827,1 bilhões) em março.

A inflação ao consumidor subiu 0,5% em maio, sétimo avanço consecutivo. Em 12 meses, o índice acumulado chegou a 4,2%, mais que o dobro da meta do banco central americano. Já o PIB do país cresceu 1,6% no primeiro trimestre, abaixo da expectativa do mercado, de 2%.

A sensação de deterioração da economia americana também já se reflete na popularidade de Trump, que vem caindo desde o início do ano passado.


  • O que explica a crise de popularidade do presidente dos EUA


O que esperar adiante?


Mesmo sem uma definição sobre as tarifas, o governo brasileiro afirma que pretende manter as negociações. Pela legislação americana, a investigação formal ainda precisa ser concluída e consultas públicas devem ocorrer antes de qualquer medida entrar em vigor.

O presidente Lula afirmou que enviaria uma nova carta a Trump para tratar do assunto.


"A nossa luta é para que esse país não seja tratado em nenhum momento como se fosse uma republiqueta insignificante. Nós temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os EUA deu ao Brasil nesta semana. Não é possível", afirmou o petista após o anúncio das novas taxas.

Com uma agenda extensa e diversos temas relevantes em debate no G7, a reunião entre Lula e Trump pode não ocorrer. Ainda assim, a expectativa é que o presidente brasileiro aproveite o encontro para estreitar relações com outras grandes economias e fortalecer os laços do Brasil com a União Europeia.

 
 
 

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